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06 de fevereiro 2017 / DOC-EXPÕE

Confira o roteiro de bibliotecas com acervo de obras raras em Salvador

Quem passa às pressas pela Avenida Paralela não imagina que no coração da via reside uma valiosa edição de 1880 de Os Lusíadas, de Luís de Camões. Igual a ela, só existem 14 no mundo todo. Considerado o maior poema épico da língua portuguesa, o livro tem mais de mil estrofes.

A obra integra a coleção da Biblioteca Hertha Odebrecht, na sede da empresa em Salvador, que também conta com raridades como edições autografadas de Jorge Amado. Inspirado pelas aventuras de Vasco da Gama, o CORREIO navegou em busca das bibliotecas de Salvador que zelam por esse tipo de preciosidade.

Valiosa edição de Os Lusíadas, de Luís de Camões, de 1880, integra o acervo da biblioteca Hertha Odebrecht
(Foto: Renata Drews)

Mas como saber se uma obra é, de fato, rara? A Biblioteca Nacional, órgão responsável pela política governamental de preservação e difusão da produção intelectual do país, ressalta que um livro ser antigo não é um critério fundamental para aderir a classificação de raridade.

 É preciso também que a obra seja única, tenha poucos exemplares disponíveis, faça parte de alguma edição especial ou apresente algum traço de distinção.

Outros pontos esclarecedores são de que o exemplar tenha uma encadernação de luxo ou o autógrafo de uma consagrada personalidade como D. Pedro II, Carlos Drummond de Andrade ou Jorge Amado.

Apesar da classificação sugerida pela fundação, bibliotecários e especialistas de outras áreas também consideram outros critérios para classificar e catalogar seus acervos de livros antigos e especiais.

Nas bibliotecas da Universidade Federal da Bahia (Ufba), por exemplo, são obras raras aquelas que vieram para o Brasil até meados do século  XVIII, em geral publicações editadas na Europa e trazidas por jesuítas ou intelectuais.

 “Essas obras, em sua grande maioria, mostram um retrato da época e ajudam a compreender como era a realidade naquele tempo”, afirma a bibliotecária Liana Fontenelle, da Biblioteca Hertha Odebrecht.

O espaço, cujo nome homenageia a mãe do fundador da organização, Norberto Odebrecht, 10 mil livros ocupam estantes pequenas, mas bem preenchidas. A BHO conta também com um acervo especial de mais de 400 volumes escritos em pelo menos seis idiomas.

Salvador tem o segundo maior acervo de raridades em estantes do país, a Biblioteca do Mosteiro de São Bento, na Avenida Sete de Setembro. Perdendo apenas para a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, o Mosteiro acumula mais de 200 mil obras, dentre as quais 13 mil são consideradas raras e 60 delas já foram digitalizadas.

Os títulos restaurados e digitalizados pelo mosteiro são de diversas épocas e diferentes temas e gêneros. Dentre eles, estão Suma Theologica Secundæ, de São Tomás de Aquino, importante teólogo e filósofo italiano, numa edição de 1534, a súmula O Médico do povo, de 1868, com instruções para tratamento de doenças e a coleção Obras Completas de Luís de Camões, de 1873. Os livros digitalizados estão disponíveis no site criado pelo Mosteiro (www.saobento.org/livrosraros).

“As bibliotecas são as guardiãs da memória. A importância destas obras está em preservar a memória não só da universidade, mas também da Bahia e do Brasil”, diz Lídia Toutain, superintendente do Sistema de Bibliotecas da Ufba, referindo-se à inauguração da Faculdade de Medicina da Bahia, em 1808, por D. João VI, primeiro espaço acadêmico do Brasil, que mais tarde se tornaria a Ufba.

A bibliotecária da Odebrecht, Liana Fontenelle, pondera que “livros sobre quaisquer  regiões ou temas nos dão suporte para refletir sobre erros ainda cometidos e são caminhos para evoluções”. Na avaliação de Alda Lima, da biblioteca da Ufba, a digitalização “ajuda a disseminar a importância de resguardar a nossa  história”.

RARIDADES ESPANHOLAS

A biblioteca da Caballeros de Santiago, localizada na Rua da Paciência, no Rio Vermelho, tem um acervo em espanhol e galego, com as mais variadas informações sobre a Espanha, e divulga, desde 1960, a cultura e idioma a partir de livros, revistas e filmes.

“A biblioteca também é muito procurada por estudantes e pesquisadores, principalmente quando o assunto é a imigração espanhola no Brasil ou o Caminho de Santiago de Compostela”, revela Jacqueline Barreto, bibliotecária do local.

Obras consideradas raras ou especiais estão disponíveis na biblioteca, como a Don Quijote de La Mancha: edición comemorativa del IV centenário de publicação da Obra, lançado em 2005, e o raríssimo La Madre Patria Hispana-Guía general de España (sem data), a única edição do título no Brasil.

PRECIOSIDADES DA UFBA

No Lugares de Memórias, espaço inaugurado em setembro de 2013 pelo reitor da Universidade Federal da Bahia João Carlos Salles no terceiro andar da Biblioteca Reitor Macedo Costa, está a maior parte das obras raras classificadas no catálogo do SIBI. Nem todos os títulos estão catalogados.

A Seção Memórias e Coleções Especiais preserva uma diversidade de obras valiosas do contexto da Bahia
(Foto: Renata Drews)

Além da seção Memórias e Coleções Especiais, funciona o setor de Estudos Baianos, com uma diversidade de obras valiosas do contexto da Bahia. As obras dos séculos XVI, XVII e XVIII são consideradas raras pela Ufba devido a sua época de publicação.

Os volumes foram editados na Europa, em países como Portugal, França e Alemanha. Com a criação da Imprensa Régia, em 1808, passou-se a editar livros no Brasil: são hoje chamadas de brasilianas, não mais obras raras.

Nas sessões de raridades, estão exemplares de Arte da grammatica da língua do Brasil (1795), de Luiz Figueira; Opusculu & Mirabilibus noue & veteris Urbis Rome (1515), de Francisco Albertini; e Caramurú: poema épico do descubrimento da Bahia (1781), de Santa Rita Durão. Grande parte da coleção foi doada pelo tupinólogo e bibliófilo Frederico Edelweiss (1882 – 1976), em 1974.

Raridades em estantes podem ser encontradas em outras unidades da instituição. A Coleção Brasiliana e alguns livros autografados por Manuel Querino podem ser encontrados, por exemplo, na Biblioteca Sofia Olszewski, da Escola de Belas Artes, no Canela. O local atualmente está passando por reforma. De acordo com a coordenadora do espaço, Leda Costa, um dos objetivos é organizar melhor uma área só de obras raras.

Matéria extraída do site: http://www.correio24horas.com.br/

A Biblioteca Hertha Odebrecht, um dos destaques na matéria, tem uma exposição montada pela Doc-Expõe.

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